[FP] Mary Jo Novoselic

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[FP] Mary Jo Novoselic

Mensagem por Convidado em Dom Ago 03, 2014 11:01 pm



Mary Jo Novoselic
All the sinners are saints
The Civillians. 17. estudante de arte. Hayley Williams.
✭✭✭✩✩

Capítulo I
"No inverno, a matilha sobrevive enquanto o lobo solitário é derrotado e consumido pelo frio. Todos sabem que os lobos criam apenas os filhotes mais fortes, abandonado os fracos a mercê da morte certa, restando-lhe apenas duas opções: render-se e colocar-se com o ventre para cima, dando ao mundo a oportunidade de pisoteá-los ou assassinar sua fragilidade e fortalecer-se, tornando-se igual aos pais que, por sua fraqueza, o abandonaram. O ponto aqui é que sempre existe uma segunda chance se você consegue encontrá-la. Contudo, ela se desdobra em vários caminhos incertos, restando a você escolher apenas um. De tal modo escreverás tua própria sentença. E ao final, assinarás a teu próprio epitáfio."
--
Não existe aqui uma bonita e triste história de vida. Em fato, sequer se pode dizer que existe algo concreto. Como contar a história de alguém que realmente não a tem? Ou pelo menos não tem os resquícios de memória daquele tão distante e aparentemente frio passado. O fato é que a mesma realmente não fazia idéia de quem havia sido antes de ser Mary Jo Novoselic. Os vestígios de seu passado resumiam-se em um dia cinzento. O dia no qual a pequena menina havia sido largada em um beco qualquer, um lugar onde crianças jamais deveriam ser deixadas e, ainda assim, muitas já haviam estado em tal situação. Abandonada e negligenciada por sua misteriosa e desconhecida família, estava fadada a morrer sem apenas ter aberto os olhos para o mundo. Algumas horas a mais exposta ao frio e aos demais perigos que qualquer outra situação poderia lhe oferecer, e Mary teria cumprido seu destino. Porém, por uma vez, a sorte talvez estivesse favorável, abrindo um mero sorriso debochado para redirecionar os caminhos da garota. De alguma forma, a haviam encontrado. De alguma forma, haviam escutado o choro frágil que se apagava gradativamente e haviam seguido até sua origem. De alguma forma, haviam conseguido chegar justo a tempo de salvar a recém-nascida. E então, com isso, se conseguira salvar uma vida. Blair e Eric, ao ver a criança tão frágil, se sentiram impossibilitados de apenas passar a garota para frente, como se fosse apenas uma mercadoria com a qual lidar. A pena os invadia, preenchendo suas mentes com culpabilidade e sussurros de encorajamento. Naquele dia frio e cinzento, por primeira vez, a menina fora alvo de algo bom. Aquelas pessoas poderiam simplesmente deixá-la cumprir o que lhe havia sido prescrito. Contudo, decidiram tomá-la a responsabilidade e dar-lhe um nome, um lar. Se aquilo não era o real amor de uma família, era o máximo que ela algum dia chegaria a receber. Os anos passaram e Mary crescera, como óbvio e esperado. A garotinha desenvolvia-se rapidamente a nível intelectual, aprendendo com rapidez e demonstrando domínio bastante amplo (tendo em conta sua idade) de habilidades artísticas, além de interesse extremo pela leitura (coisa que era incentivada por Eric, um adepto do exercício da cognição). Tais fatores a tornavam uma espécie de dádiva do destino a olhos dos pais, que a rodeavam de mimos e carinhos exagerados quando tinham tempo para os que lhe correspondiam em guarda, cercando-a e praticamente sufocando-a com atenção, por vezes, desnecessária ao ver da pequena menina. Preferia estar sozinha a maior parte do tempo, carregando um velho coelho de pelúcia (que havia ganhado assim que entrara para a família) e conversando sozinha sobre as coisas novas que aprendia, a modo de preservar o conhecimento. Nas raras vezes que sentia a necessidade de receber todo aquele carinho que desprezava no geral de um modo mais intenso, gostava de gastar tardes insistindo para que o "irmão" lhe dedicasse algumas horas de atenção. Terminava tendo maior facilidade para dobrar a opinião de Richard por meio da irritação, que desistia de tentar evitar a garota e se deixava comover pelos olhos verdes entristecidos enquanto a mesma implorava pela companhia dele. Contudo, o garoto tomando atos de um pirralho insano, por vezes aproveitada os momentos para brincadeiras cruéis e de gosto duvidoso direcionadas a garotinha, que modo algum tinha para se defender. E assim se seguira, apenas acompanhando o tempo que passava. E então, a adolescência chegara, agregando à vida de Mary muitos dilemas e incertezas. Sentia-se fora de encaixe em seu entorno, em sua própria casa, já que todos tinham algo do passado para contar ao tempo que ela apenas tinha a certeza de ter sido descartada, deixada a mercê. Isso a frustrava e enfurecia fator que influenciou no surgimento e rápida evolução de seus complexos psicológicos. Sempre que estava próxima dos familiares e tinha tempo para iniciar uma análise silenciosa, ela apenas corria os olhos por todos os presentes ocultando o desprezo que sentia por si mesma e, em vezes, por eles. Observava a todos e cada um com indiferença. Adulações vazias, adoração estúpida, únicas coisas das quais se podia lembrar. Todos esses fatores provocavam náuseas na garota, tiravam-na do sério e aumentavam seu ódio pelo ocorrido ao longo do tempo. Por tudo o que havia tido de aguentar, mesmo que não se importasse, no fundo, ela guardava rancor. Rancor por ser abandonada sem sequer ter o direito de saber qual a sua origem. E nesses momentos, Mary costumava sonhar... Após ofender e blasfemar em pensamentos gostava de imaginar como sua vida seria se as coisas fossem diferentes. Sonhava também enquanto observava seu reflexo no espelho de modo tristonho e carregado de desprezo, percorrendo a figura considerada por ela tão errada, tão fora dos padrões. E sonhava mais ainda enquanto deitada na cama, após livrar-se do jantar por meio de desculpas esfarrapadas ou métodos mais intensos, derramava lágrimas e abafava o choro contra o travesseiro. Perguntava-se então como sua vida seria se nunca tivesse sido largada, desprezada, esquecida. E então se precatava que, provavelmente, nunca teria conhecido Richard. De modo inesperado (ou não), o garoto havia se tornado especial ao extremo para a garota, que se sentia, em certo nível, em sincronia com o mesmo. Quanto mais convivia com o tal, maior a admiração que direcionava a ele ficava. E desse modo, precatara-se de que ali existia algo mais que apenas respeito. Pelo menos, da parte da garota, que se sentia insegura devido o status e a popularidade do irmão. O garoto encaixava-se perfeitamente no perfil de ideal: bonito, desleixado de um modo charmoso e com uma estupidez proposital que resultava encantadora para qualquer garota ingênua o bastante como para se deixar levar pela conversa do mesmo. E, para desespero de Mary, ela era uma perfeita ingênua. Tal situação sentimental a fez enterrar-se mais em sua busca pessoal pela perfeição, tendo como um dos objetivos máximos conseguir encaixar-se na definição de perfeito do mesmo.

As coisas seguiam normalmente e pareciam correr bem até que a aparentemente tão necessária inversão de sorte ocorreu. Obviamente, nada bom poderia durar na vida de Mary. Sempre havia um fato errôneo, algo sempre era necessário para desestabilizar a convivência e abalar uma estrutura aparentemente forte: o casal responsável pela adoção da cria recebera uma visita inesperada. Os verdadeiros pais de Mary finalmente se apresentaram, tendo decidido (após anos de pensamento e busca pela filha) que a queriam novamente. A mera ideia de ser afastada das pessoas que a mantiveram viva e criaram parecia a pior coisa do mundo. Afogada em raiva, desejara milhares de vezes que os responsáveis por seu abandono morressem ou desaparecessem da face da terra, deixando-a em paz finalmente. E enfim, o casal viera a falecer misteriosamente durante o sono. Ao ver alheio, uma bela forma de morrer: ambos deitados no leito conjugal ao tempo que respiraram por última vez. Seus batimentos cardíacos cessaram e a vida de ambos se esvaiu de um modo quase teatral, como se a própria deusa da mitologia grega, Macária, estivesse cuidando dos detalhes da partida de Klara e Severac, os pais negligentes e frios que um dia, anos atrás, houveram abandonado uma cria indefesa ao frio.  Contudo, para Mary Jo, as coisas eram bem diferentes. De certo modo, ao observar os cadáveres serenos com uma expressão lúgubre e regia a culpa a atingira. Não que ela realmente tivesse algo relacionado com a morte de pessoas que tão bem lhe fizeram, oh não... Mas arrependia-se de cada momento mal-gastado e cada pensamento ruim, cada momento de rancor. E assim, mudara por completo por período. Afetada pela perda, pela maldita desgraça e a impiedade impune, Mary morrera por dentro. Tornara-se apenas um corpo, uma nada andante. Uma pessoa vazia e entristecida. Não encontrava grande conforto e não se deixava ser consolada. Tinha o costume de desfazer-se em lágrimas enquanto tinha por apoio apenas os próprios pensamentos.
Levara um período longo (aproximadamente dois anos) para que a garota voltasse a se recompor, contudo, já não era mais quem havia sido antes da tragédia. Tornara-se mais quebradiça no quesito emocional  e muito mais tristonha. Voltara a adotar o costume da solidão e afastara-se praticamente de todas as pessoas fora de seu círculo familiar, buscando uma exclusão mais intensa para poder organizar seus pensamentos e tentar recuperar todas as demais boas coisas que perdera. Com isso, começara a questionar-se quem realmente ela era, afinal, nunca iria esquecer o fato de ter sido encontrada praticamente morta. Abandonada. Todas as dúvidas a respeito da vida que realmente lhe correspondia afloraram então, deixando na garota uma sensação de vazio. Afinal, quem de fato seria Mary Jo Novoselic, a garota abandonada, descartada, esquecida? Tal questão, apenas o tempo poderá responder. OBS: AVISO QUE TAL HISTÓRIA DE MINHA AUTORIA JÁ FOI UTILIZADA EM OUTRO FÓRUM NA PERSONAGEM DE MINHA PROPRIEDADE CHAMADA MARY JO BOUCHER. APENAS UTILIZEI A MESMA BASE COM PARES DE MODIFICAÇÕES DE MODO A QUE SE ENCAIXE NA TEMÁTICA DO ROLEPLAY ATUAL.



Conhecimento

Sabe cantar; sabe trabalhar com qualquer ramo da arte plástica; é poliglota (possuindo domínio de: português, francês, inglês, espanhol e italiano); não sabe cozinhar nada além de comida vegetariana; sabe tocar piano; não sabe dirigir; não sabe dançar; possui certo entendimento no ramo da anatomia, por conta de seu gosto pela arte.


Objetos

♦ - Uma corrente de prata com um pingente mediano em formato de coração. É uma joia minimalista, isto é, sem ornamentos ou detalhes em demasia. Tal objeto carrega valor emocional por ser um presente da parte dos "pais" da garota, Blair e Eric Boucher.

♦ - Uma aliança de prata simples, sem detalhe algum. O objeto é um presente do namorado da garota, Richard, e simboliza o laço sentimental entre ambos.

♦ - Um caderno antigo com uma capa de couro preta sem ornamento algum. A garota usa tal objeto para diversas funções, que seguem desde anotações até rascunhos de futuras composições artísticas.

Convidado

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Re: [FP] Mary Jo Novoselic

Mensagem por Alpha em Seg Ago 04, 2014 11:23 am

aprovada

Ficha aprovada. Seja bem vinda ao fórum, qualquer dúvida mp-me.

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